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Acrofobia

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Eu encontrei com Marcio depois de uns meses de conversa. Ele mora numa cidade ao longo do meu trajeto semanal, e nossas agendas finalmente coincidiram. Eu tinha uma certa idéia de onde e como fazer as fotos dele a partir do que a gente já havia discutido ao longo desse tempo. Um dos lugares que me deixaram curioso foi um prédio abandonado porque se relacionava com algumas experiências que ele tinha me relatado e com a área de trabalho dele. Também pensei numa área ao redor de uma refinaria de petróleo na região, onde as chamas de uma torre de fracionamento tingem tudo de um laranja brilhante.

Então fomos ao prédio… Foi fácil ter acesso ao local (na verdade já havia dois caras lá, planejando alguma intervenção artística), e seguimos pro último piso acabado. Só nesse momento Marcio chamou minha atenção pra um fato que ele não havia mencionado antes, mesmo quando perguntado sobre seus medos, em nossas conversas: ele tinha acrofobia, um medo paralisante de altura.

O prédio era projetado mais ou menos como uma gravata borboleta. Uma área central, estreita, com as escadas e os poços dos elevadores, e dois blocos retangulares, conectados por uma passagem nessa área central. E ali estávamos nós, empacados nessa parte do meio, já que após sair das escadas e encarar essa passagem estreita ele simplesmente congelou (e aí me contou tudo isso). Pra ele, ir até ali ia ser parte de um exercício de superar esse medo. Do que eu consegui extrair ali naquele momento, enquanto a gente tentava de toda forma fazer com que ele desse aqueles poucos passos, já que ele queria tanto fazer aquelas fotos, e vinha se esforçando em superar aquele medo já há algum tempo, ele achou que aquela poderia ser a hora de uma virada em ir no local e encarar aquela curta caminhada.

Ao final, depois de um bom tempo, nós conseguimos sair dessa área central pra uma das seções grandes onde ele se sentiu um pouco mais seguro, mas não o bastante pra chegar perto de qualquer das bordas. Na verdade foi preciso colocar as mãos nos meus ombros e andar olhando direto pro chão ou fechar os olhos no caminho pela passagem mais estreita, imitando cada passo que eu dava, até a gente chegar na parte maior, onde ele sentou de imediato.

Depois de alguma resistência ele se levantou, de costas pra rua, e me encarou pra que eu pudesse começar a fazer as fotos. Depois de mais um pouco de senta-e-levanta ele conseguiu olhar pro outro lado. Claro que ele se sentiu um super herói depois de tudo isso. Eu queria ter umas capas pra gente usar na foto que me deu vontade de fazer junto no final. Aqui estão as imagens dessa experiência.

I met Marcio after a few months of chatting. He lives in a town along my weekly commuting route and our agendas finally matched. I had a reasonably good idea of where and how to make his photos from what we had discussed along that time. One of the places I was curious about was an abandoned building because it related to some experiences he had told me and his field of work. I also considered the area around a major oil refinery in that area, where the flames of a fractionating column tint everything in bright orange.

So we set to the building… It was easy to get access to it (in fact there were a couple guys already there, chatting and planning some art intervention) and to the last finished floor we went. However, at that moment Marcio brought to my attention something he hadn’t mentioned earlier, even after questioned about his major fears along our chats: he had acrophobia, a paralysing fear of heights.

The building design was something like a bow tie. A central narrow area, with the stairs and elevator wells and two broader rectangular blocks, connected through a passage in this central area. There we were stuck in the middle section for, after leaving the stairs and facing this narrow passage he just strangely froze (and then told me all about it). For him, going there was to be part of an exercise in overcoming that fear. From what I could gather in that moment, while we tried in every possible way to get him to take those few steps, since he wanted so badly to take these photos, and had been fighting that fear for some time, he thought that it might be a turning point to go there and face that short walk.

Eventually, after a good while we managed to get from this central area to one of the large sections where he felt a little safer, though not enough to go anywhere near the corners. In fact he had to get his hands over my shoulders and walk looking straight to the floor or have his eyes closed along the way through that narrow passage, mimicking my steps, until we reached the larger section, where he immediately sat down.

After some initial reluctance he stood up, his back to the street, and faced me so I could start taking the photos. A little bit more of sitting and standing, and he managed to look at the other side. Needless to say he felt like a superhero after all this. I just wished we had a couple capes for that picture I wanted us to take at the end. Here are the images from that experience.

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